Influência das Emoções Negativas na Socialização do Sujeito
1.0 Introdução
O presente trabalho teve como tema, influência das emoções negativas na socialização do sujeito: Estudo de
caso.
Segundo LAKATOS &MARCONI, (2005:220), “tema” corresponde a um assunto que se deseja
estudar, provar ou desenvolver. Pode surgir de uma dificuldade prática
enfrentada pelo autor ou de uma curiosidade científica, por desafios
encontrados na leitura de outros trabalhos ou de teorias.
Para Chizzotti (2000:35), “Uma pesquisa pode nascer de leituras, das reflexões pessoais dos
problemas reconhecidos, da actividade profissional, de fontes de informação,
etc. Quando alguém decide investigar um determinado assunto, sua escolha é
feita em função de um interesse actual, dos meios exequíveis e de informações
documentadas.”
Neste contexto, surge a proposta do tema supracitado, por
ser uma prática que oferece condições necessárias para a interacção entre as
subjectividades, ou seja, a disponibilidade mútua de trocar conhecimentos e
sentimentos, permite a superação da situação de conflito. Tendo em consideração
que a vida humana implica relações intersubjectivas no seu quotidiano, quando
se trata de indivíduos que possuem constantes emoções negativas é preciso
estar-se atento para situações conflituosas, nem sempre explícitas, que podem
dificultar a inter-relação com outros sujeitos no meio social. Porém, a prática
do aconselhamento psicológico, neste caso, dá oportunidade para a retomada
da integralidade da pessoa na sociedade. A escolha deste tema advêm do facto
de, ser futuro psicólogo, há toda necessidade de consolidar, aprofundar os
conhecimento teóricos e prática, com vista a compreender os sujeitos, como
forma de se pressupor que a sua cura ou prevenção, passam necessariamente pela
compreensão do sujeito como um todo.
2.0 Objectivos:
2.1 Geral
ü Analisar a influência das
emoções negativas na socialização do indivíduo, (realidade
prática vivida pelo psicólogo em contexto de saúde mental, aplicando os
conhecimentos da psicologia na promoção da saúde).
2.2 Específicos
ü Descrever a realidade observada, apontando os pontos
fortes e negativos no âmbito de intervenção no sujeito acima mencionada;
ü Definir o conceito de emoções negativas;
ü Identificar as causas das emoções
negativas, da estudante universitária; e
ü Propor mecanismos de modificação dos comportamentos de
risco, promovendo o auto-conhecimento e formular recomendações.
3.0 Justificativa
ü Primeiro, sendo estudante de Psicologia do 2º ano e futuro Psicólogo, abordar a
questão em estudo, constitui uma oportunidade ímpar para construir a capacidade
de escuta activa e desenvolver a capacidade comunicativa enquanto futuro
profissional.
ü A Psicologia é uma ciência que estuda o Kto, (fenómenos conscientes e
inconscientes), processos mentais, experiência
humana, e, de um modo especial, a personalidade. Com técnicas metódicas
próprias, a Psicologia procura não só descobrir novos factos nessas áreas, mas,
também, medi-los, com propósito de aliviar o sofrimento psíquico e propor o
bem-estar psíquico do sujeito, (DAVIDOFF,
1994).
4.0 Metodologia
ü A metodologia de investigação que norteia a realização e
elaboração do presente trabalho, têm como alicerces em base de pesquisa
cientifica, aplicado em métodos e técnicas, “Entrevista e Método Indutivo”, (AIRES, 2015);e
ü Também, o presente trabalho é resultado de várias obras
de leitura e de consultas bibliográficas de vários autores que abordam sobre o
tema supracitado, (Santos apud MARTINS; THEÓPHILO, 2007, p. 37).
5.0 Métodos ou técnicas de recolha de dados
Os métodos ou técnicas
utilizadas para recolha de informações no sujeito foram a Entrevista e Método
Indutivo.
Entrevista
A entrevista nasce da necessidade que o
investigador tem de conhecer o sentido que os sujeitos dão aos seus actos, o
acesso a esse conhecimento profundo e complexo é proporcionado pelos discursos
enunciados pelos sujeitos.” (AIRES,
2015, p. 29).
Com esta técnica de recolha de dados, o autor pretende
enterrar-se com os informantes através de um diálogo, a fim de tira-los
informações possíveis para interpretação do objecto de estudo no seu todo.
A entrevista compreende o
desenvolvimento de uma interacção de significados em que as características
pessoais do entrevistador e do entrevistado influenciam decisivamente em seu
curso. As questões colocadas têm em vista a pôr o informante a argumentar o máximo
possível.
Método Indutivo
A indução refere-se
a enumeração de um conjunto de evidências particulares observáveis, que a partir
das quais, se
pode fazer uma
generalização. Em suma,
a multiplicação das evidências
permite que se
descubram evidências que
provem uma determinada proposição
geral. O Método Indutivo é aquele que parte de análises singulares e a partir
destas, indutivamente, chega a conclusões plurais, (DEMO 2000)
Para LAVILLE
(1999) a indução não
é apenas a generalização decorrente de uma somatória de instâncias particulares,
mas, envolve, igualmente, o método da analogia. Conforme Keynes (1921, p.316),
“eu considerei melhor usar indução em si para todos os tipos de raciocínios que combinem, de uma forma ou de outra, indução pura com
analogia”.
6.0 Processo de avaliação do sujeito
Segundo
Ribeiro, (1999), Avaliação Psicológica - refere-se a métodos, técnicas e testes" de colecta de
dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenómenos
psicológicos, com a finalidade de produzir, orientar, monitorar, encaminhar acções
e intervenções sobre a pessoa avaliada, seguindo critérios científicos,
métodos, técnicas e instrumentos previamente validados.
Segundo Godoy,
(1991), a avaliação obedece as seguintes fases: Seleção e descrição do
objecto, Formulação de hipóteses, Exploração e interpretação, Juízo diagnóstico
e Relatório.
1.
Formulação de hipóteses: é feita segundo o método indutivo, partindo da informação
recolhida, elaboram-se hipóteses de abordar o caso. A interpretação implícita
desde logo deve ser flexível, já que há medida que se avança na avaliação vão
aparecendo novos dados que implicam releituras da situação inicial, (GIL, 1999).
2.
Exploração e interpretação: nesta fase, realiza-se
as avaliações e comprovam-se as hipóteses colocadas no início. A verificação
das hipóteses será tão mais rigorosa em função do tipo de técnicas utilizadas
para testar as hipóteses. É, pois, importante que os instrumentos utilizados
ofereçam garantias científicas de fiabilidade, validade e representatividade,
às condições em que se aplicam, (LAKATOS
&MARCONI, 2006).
3.
Juízo diagnóstico: A partir dos dados recolhidos chega-se a uma formulação sintética que
permite deduzir conclusões dirigidas até à planificação de medidas de acção
(orientar, seleccionar, propor um tratamento). Este é um processo de tomada de
decisão. Por isso, comporta a possibilidade de se cometerem alguns erros a que
é preciso estar atento.
4.
Relatório ou Informação Oral - Consiste na comunicação ao sujeito em uma ou mais
entrevistas ou consultas ou sessões dos resultados da avaliação que ocorreu e
das recomendações terapêuticas.
Para entender o caso em estudo, analisamos a vida de
uma estudante universitária, de 24 anos, natural de Maputo e residente no
Bairro 1, da Cidade de Xai – Xai.
A entrevistada (paciente), mora com a mãe e com os irmãos, por sinal, pai falecido quando
ela tinha os seus 5 aninhos. Diz que
a relação familiar é boa, namora, está no curso que sempre quis fazer;
“medicina”. Porém, sempre sente que possui emoções
negativas (tristeza),
uma angústia cada
vez mais forte e presente no seu dia-a-dia. Nada está ruim na vida dela, ela
sabe disso, tem consciência disso, e isso, é que faz com que piora a situação.
Constantemente, têm tido pensamentos do tipo:
1.
Como eu posso estar me sentindo assim se tenho tudo?
2.
Por que eu não me sinto feliz?
3.
Quando eu vou ter paz?
4.
Quando essa dor vai passar?
5.
Até quando vou aguentar isso?
6.
Talvez se meu pai estivesse em vida, seria a minha
solução!
As questões supracitadas, estão cada vez mais presentes
no dia-a-dia da jovem e isso tem tornado
sua vida mais difícil, sem graça, sem boas perspectivas futuras. Tudo isso têm
tirado o estímulo da jovem para estudar,
sair e realizar qualquer que seja actividade. No relacionamento amoroso, se
acha uma péssima namorada, “Ela não merece isso”, e tudo isto, está
colocando até sua relação em risco, pois, com o namorado tem tido brigas por
causa de demonstrar Ktos estranhos. Segundo ela, se fosse fazer só o que tinha
vontade, passaria todo dia dormindo, isolada em seu quarto, sem precisar
sair, pois, não têm nem se quer vontade de nada. Muitas vezes têm vontade de sumir. Que os
outros a esqueçam da sua existência.
Sente-se como se fosse uma espectadora da
própria vida e sem o poder de alterar nada.
8.0 Conceitualização das
Emoções negativas-tristeza
Tristeza, refere-se
à ausência de satisfação pessoal, quando nos deparamos com nossa própria
fragilidade; ou seja; refere-se a sentimentos e condições típicas dos seres
humanos, caracterizado pela falta de alegria, ânimo, disposição e outras
emoções de insatisfação. O surgimento da Tristeza está associado à situações de
perdas, sofrimentos, decepções e angústias, (Dos Santos, 2005).
Segundo, Bergés, (2001),
Emoções
negativas é uma consequência de
alguma frustração, luto, rompimento de relacionamento, perda, dor (e que tem
uma causa claramente notada), sensação de “vazio e angústia, sintomas (sinalizações),
estas, que, devem ser levadas a sério, pois, são sinais de algo muito complicado,
como, por exemplo, depressão.
A depressão pode mudar quase tudo: desde
a forma como o sujeito se mexe e dorme até mesmo na interacção com as outras
pessoas ao seu redor. Essas mudanças notam-se na sua forma de falar ou na
escrita.
A linguagem pode ser separada em dois
componentes: conteúdo e estilo. O conteúdo se refere ao que nós expressamos, ou
seja, o significado ou o assunto do qual estamos falando. Não é surpresa alguma
para um psicólogo descobrir que aqueles
que possuem sintomas de depressão usam com frequência palavras como "sozinho",
"triste" e "péssimo", relacionadas à emoções
negativas.
Geralmente, pessoas depressivas usam
bastantes pronomes singulares em primeira pessoa, como "mim", "eu" e "eu mesmo",
e usam com menos frequência pronomes em segunda e terceira pessoa, como "eles", "ela". Esse padrão sugere que pessoas depressivas estão mais
focadas nelas mesmas e menos conectadas aos outros. Portanto, os pronomes podem
ser indicativos maiores para identificar a depressão do que o uso de palavras
com conotações negativas.
9.0 Diferenças entre
tristeza e depressão
Segundo Bergés (2001), tristeza não é depressão, como muitos
acreditam. A tristeza é um dos sintomas da depressão. Se a Tristeza não for superada, ou seja,
esse sentimento não passar, podendo até mesmo ser acentuado, gerando
sentimentos negativos recorrentes, podemos estar diante de um sintoma da
Depressão.
10.0 Constatações tidas no objecto em
estudo
Durante interacção (entrevista) com objecto de estudo, constatamos os
seguintes aspectos:
ü Emoções negativas;
ü Desânimo;
ü Isolamento;
ü Insatisfação das necessidades;
ü Falta de empatia;
ü Cara indiferente;
ü Ma disposição;
ü Olhos esquisitos, muito brilhantes;
ü Voz rouca; e
ü Linguagem verbal ou não verbal;
11.0 Possíveis recomendações
terapêuticas para a superação das constatações feitas, (sobre emoções negativas/tristeza)
ü Aceite ajuda;
ü Estabeleça laços de confiança;
ü Conecte-se aos seus sentimentos;
ü Compreenda a si próprio e valorize-se;
ü Que procure ficar próximo de quem ela se sente bem;
ü Faça actividades prazerosas;
ü Pratique o auto-cuidado, o equilíbrio, a meditação;
ü Pratique exercícios físicos regularmente e tenha uma
alimentação saudável;
Portanto, as emoções negativas/tristeza
têm sim motivos
e tem cura/controle. Porém, o primeiro passo é querer e agir para
melhorar. Existem sujeitos que estão nessa situação, querem até melhorar, mas
não fazem nada a respeito.
Para tal, os sujeitos que sofrem deste
tipo de transtorno devem procurar ajuda de um profissional da saúde mental:
psicólogo/psiquiatra.
12.0 Conclusão
Durante o estudo, concluímos que:
Compreender emoções negativas nos sujeitos ajuda a entender a forma como pensam, esta
tarefa só é feita por psicólogos/psiquiatra, treinados de um bom
entendimento cognitivo comportamental que analisam o fenómeno de forma ampla, pois, nem tudo é psicológico,
o sujeito é resultado de vários factores: ambientais, fisiológicos,
genéticos e sociais. Tudo isso, impacta directamente na saúde mental do
sujeito.
As
emoções negativas (tristeza) são
causados por um conjunto de “factores
sistémicos”, como, desregulação
do sono, ansiedade/estresse crónico, alimentação desregulada, pensamentos
distorcidos sobre si e do mundo, comportamentos automáticos, falta de exposição
a luz solar saudável, baixo consumo de água, falta de actividades prazerosas,
sedentarismo, a perca de um emprego, a morte de um amigo/familiar, e outras
situações que sejam encaradas de modo
negativo na pessoa, fazendo com que seja afectada psicologicamente É de
salientar que, os factores sistemáticos
tiram todo brilho da vida dos sujeitos, seja na vida pessoal, profissional,
familiar e afectivo.
A avaliação
psicológica com a finalidade de se obter inferências a respeito de um ou grupo
de indivíduos, é da inteira competência e
responsabilidade do psicólogo, pois, somente ele têm o treinamento e
experiência necessária para assumir esta responsabilidade, de maneira profissional, ética
e técnica.
Quanto à classificação sobre o caso em estudo, a nossa entrevistada sofre de depressão expressivo. Durante a nossa interacção, sentimos que a jovem têm humor depressivo, irritabilidade, ansiedade, angústia, desânimo, cansaço
fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas, incapacidade de
sentir alegria e prazer em actividades anteriormente consideradas agradáveis,
assim como, desinteresse, falta de motivação, apatia, sensação de vazio, sentimentos cada vez mais presente na
vida quotidiano.
NB:
Carro
leitor, aceitamos críticas construtivas e enriquecedoras no W.
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